A publicidade tradicional continua passando batom no porco.

porco

Estava lendo esse post desabafo do Igor Beuker do Viral Blog sobre as métricas da publicidade online quando comparadas as atuais métricas (praticamente inesistentes) da publicidade tradicional e concordo com tudo o que ele diz sobre o novo papel das agências em não apenas sugerir soluções em publicidade, mas na verdade sugerir soluções para toda a cadeia de valor do produto ou serviço, sendo a publicidade um elo dessa corrente.
Fazendo um paralelo entre um trecho sobre Lovemarks e Capital Emocional que recentemente li no  já citado livro de Henry Jenkins e minha recente experiência de trabalho em agência digital acredito que deve existir uma conciliação. As métricas (search engine, ROI, taxas de rejeição, Unique Visitors, etc) que a internet trouxe deixaram as ações onlines muito mais claras e objetivas quanto à resultados, mas tiraram um pouco do brilho e magia que involve todo o processo criativo. Digitalizaram a criação e isso é ruim.
Aí é que começam os erros. A internet por si só, assim como a publicidade tradicional, não é a salvação da lavoura. Quando utilizada apenas com foco nas métricas ela funciona tanto quanto “passar batom no porco“. O foco está na convergência das mídias off line, digital, promoção, ferramentas interativas, eventos, etc tudo funcionando em comunhão para que se atinja um objetivo único no final: a percepção de que tudo isso não foi uma tentativa de se vender algo, mas uma experiência de entretenimento.
Em seu livro, Jenkins cita uma parte do discurso que o presidente da Coca-cola na época, Steven J. Heyer, fez na conferência Madison+Vine da revista Advertising Age em 2003. “A experiência não deve ser contida em um único suporte midiático, mas deve estender-se ao maior número possível deles. A extensão de marca baseia-se no interesse do púlico em determinado conteúdo, para associá-lo repetidamente a uma marca. Seguindo essa lógica, a Coca-cola se considera menos uma engarrafadora de refrigerantes e mais uma empresa de entretenimento que ativamente molda e patrocina eventos esportivos, shows, filmes e séries de televisão. Essa intensificação de sentimentos permite ao conteúdo de entretenimento - e a mensagem da marca - abrir caminho através da “confusão” e torna-se memorável aos consumidores.”
Resumindo. O formato dos 30″ ainda vai perdurar por algum tempo, mas vai ser tão efetivo quanto uma taxa clicks de 0,3 em um banner. O segredo está em alinhar objetivos e idéias antes de se pensar em formatos publicitários. Gerar experiências, sensações, engajamento e todo o tipo de palavra gasta que eu sempre digo aqui no blog alinhados às métricas efetivas e confiáveis é a solução para a publicidade do século XXI. É isso ou continuar passando batom no porco.

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3 comentários para “A publicidade tradicional continua passando batom no porco.”

  1. [...] Há algum tempo venho postando no blog estratégias publicitárias interessantes que usam a web como uma das bases para a interação com o consumidor. Adoro quando vejo ações pertinentes e bem adequadas ao meio, mas aparentemente tem gente que ainda não entendeu muito bem que o mundo digital não serve simplesmente para uma readaptação de formato do conteúdo gerado no offline. Acessando o blog da Agency.net li um texto bem bacana que explica porque a teoria das telas ou Screen Theory (baseado no livro de Kevin Roberts prevendo que no futuro a distruição do conteúdo publicitário será baseado em telas e que as principais ferramentas serão sight(visão), sound(som) e motion(movimento) ou sisomo) não funcionará. Simplesmente porque o digital não deve ser encarado como mais uma plataforma de adaptação de conteúdo offline e sim como um canal independente que permite a participação do usuário e toda aquela história que comento não é de hoje. [...]

  2. [...] falei aqui sobre algumas confusões que essas novas ferramentas sociais podem causar a quem está acostumado [...]

  3. [...] A publicidade tradicional continua passando batom no porco. [...]

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