Arquivo da Categoria ‘Comportamento’

Sobre artefatos interativos, neuroses e chapéus

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Nos últimos dias recebi dois vídeos interessantíssimos de dois pesquisadores/estudantes de design de interação. Os objetivos de cada um são bem distintos porém um artefato os une, chapéus.

O primeiro vídeo é de Lauren Mccarthy, uma bela formanda em Art, Science and Design pelo MIT, mestranda em Fine Arts pela University of California, Los Angeles que desenvolveu o Happiness Hat. Um dispositivo em formato de chapéu que possui um sensor próximo a bochecha com a função de detectar se a pessoa está sorrindo ou não.

happiness_hat

Caso o aparelho detecte que a pessoa não está sorrindo, um outro disposito na parte de tras do chapéu com uma espécie de alfinete é acionado. Este dispositivo “espeta” a nuca da pessoa causando uma sensação desconfortável de dor obrigando-a a sorrir novamente para que o mesmo volte a posição inicial. Veja o vídeo abaixo.

Tão curioso quanto o vídeo é a proposta do trabalho. O texto explicativo no site de Laureen explica:

“Um sorriso é uma ação simples que possui o poder de fazer com que todos ao redor se sintam bem. Apenas usando os musculos da face para sorrir nós podemos fazer qualquer um se sentir melhor.
Ver pessoas sorrindo dispara pequenos mecânismos no nosso cérebro que fazem com que, inconscientemente, sorrimos também. Qual é o potencial de feedback de um mecânismo que melhora a maneira com que agimos e sentimos? Por outro lado quantas vezes nossa aparência não necessariamente representa o que estamos pensando e sentindo? Como conciliar esses paradigmas?”

Outro projeto curioso que também utiliza o artefato chapéu como forma de feedback é o Taikam Hat, projeto desenvolvido pelos alunos Ricardo Nascimentohh, Fabiana Shizue e Fabiana Shizue da universidade Kunstuniversität Linz na Austria.

taiknan_hat

Taikam Hat é um chapéu cinético que reage de acordo com mundação na radio frequência ao seu redor. A intenção com este projeto é materializar o invisível e alertar sobre o aumento da radiação eletromagnética.

A co-existência de todas as ondas eletromagnéticas radiadas por diversos aparelhos cria uma paisagem invisível que interage com o espaço e seus habitantes. Esta paisagem se transformou em uma nova forma de poluição, a electrosmog, que causa efeitos biológicos em humanos e animais.

O curioso é que os objetivos dos dois projetos são apoiados em neuroses do cotidiano, sejam elas provenientes da nossa vida digital ou não.
Estudar o comportamento neurótico e propor aplicativos e devices para isso, aparentemente, está na moda. Será que a tecnologia nos deixou mais neuróticos, ou essas neuroses vieram à tona com os novos dispositivos tecnológicos?

Taiknam hat from ricardo nascimento on Vimeo.

The Fun Theory | Diversão e Design de interação juntos para mudar comportamentos.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Muito legal essa iniciativa apoiada pela Volkswagen na Suécia. O projeto The Fun Teory
A idéia é bastante simples, mudar o comportamento subversivo das pessoas através de soluções mais divertidas para problemas atuais.
Questionamentos do tipo: “Será que as pessoas passariam a utilizar a escada comum ao invés de elevadores ou escadas rolantes, se estas fossem mais divertidas?”

E “As pessoas evitariam jogar lixo no chão se a lixeira fosse mais divertido jogá-lo na lixeira?” já podem ser conferidas em vídeo.

O mais legal é que o site está aberto a propostas. Você poderá enviar propostas de projetos com essa temática de mudança de comportamento até o dia 15 de novembro e faturar até 2500 euros. Bem tentador não?

Isso sim é publicidade de guerrilha de verdade.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Estou bastante atrasado em relação ao festival de Cannes, mas acabei de ver esse video case fodástico da agência TBWA HUNTLASCARIS JOHANNESBURG na Africa do Sul para o jornal THE ZIMBABWEAN.

O videocase está em inglês, mas vou tentar resumir a história.

O Zimbabue está vivendo há muito tempo sobre o regime totalitário do ditador Mugabes. O governo censurou boa parte dos veículos de mídia do país e para detonar ainda mais com a liberdade de expressão, impôs taxas aos jornais que os tornaram inacessíveis à população de baixa renda.

O maior símbolo do caos social e econômico do governo ditatorial é a nota de 1 trilhão de dolares que circula no pais. A inflação é  tão alta e a moeda tão desvalorizada que “todo esse dinheiro” é incapaz de comprar um pedaço de pão. E foi daí que surgiu a inspiração para o case que ganhou leão de ouro em Titanium em Cannes este ano.

A idéia foi utilizar a própria moeda como mídia para espalhar a mensagem contra o governo. Já que imprimir em moeda desvalorizada seria muito mais barato do que imprimir em papel de verdade. Genial! Confira abaixo essa verdadeira ação de guerrilha.

Via

E por falar em novos modelos de negócio musicais…

domingo, 27 de setembro de 2009

Essa me pegou com as calças na mão. Depois do ultimo post falando sobre novos modelos de negócio para as grandes gravadoras. Vejá só essa.

O Jumbo Elektro, banda de eletro pop paulistana, acaba de lançar uma plataforma super interessante de divulgação de seu novo trabalho Terrorist junto ao site Phonobase.

A idéia é bem simples, acessando este link o fã da banda pode criar sua própria loja virtual onde ajuda a vender o material da banda. Com comissões que variam de 5 a 20% depositados diretamente em conta assim que o mesmo acumula um valor mínimo de R$10.

jumbo_elektro_phonobase

Segundo Tatá Aeroplano, vocalista da banda, “Cada artista agora precisa achar o seu (modelo de negócios), não adianta acreditar em soluções prontas e gerais. Simplesmente não dá mais certo.”

Boto fé!

Clique e leia a matéria completa no Link do Estadão.

Via

Vevo. O novo já nasce velho… e fail!

domingo, 27 de setembro de 2009

Li na AdAge este artigo que fala sobre a última e derradeira tentativa das grandes majors em conseguir criar um modelo próprio de negócios para a música no mundo digital. Se trata do Vevo, uma plataforma que trabalhará juntamente ao Youtube para a centralização de vídeos de artistas de grandes gravadoras em um único espaço.

A iniciativa é da Universal Music em conjunto com a Sony Music. Juntos, os artistas e bandas dos dois grandes players acumulam incríveis 37 milhões de views (24 milhões da Universal e 13 milhões da Sony) entre video clipes e conteúdo relacionado somente no Youtube. Cerca de 3% de todo o conteúdo visto diariamente no site.

vevo

O Vevo será um agregador de conteúdo. Aparentemente todo o conteúdo em vídeo disponibilizado no Youtube que possui direitos das duas grandes gravadoras será redirecionado para a plataforma Vevo. A proposta é que o Vevo funcione multiplaforma, diferente do Hulu que é baseado na web, dando mais liberdade para o usuário acompanhar o conteúdo onde ele estiver.

Nas palavras de Rio Caraeff, former digital chief of UMG e nomeado CEO da Vevo em maio, “We don’t want to change people’s behavior,” “It’s not about what’s best for the record company and maintaining an old business model; it’s about how do you create a model that flows with the physics of the web?”

Outro grande player que está conversando para entrar na jogado é a Warner Music, terceira maior gravadora dos Estados Unidos.

Na prática isto significa uma coisa. Quando você for ao YT assistir ao último clipe de REM ou do Green Day, será interrompido por anúncios antes do clipe, durante o clipe e após o clipe. Aparentemente, esta vem sendo a estratégia adotada por sites de conteúdo como a ESPN, Globo.com e diversos outros.

Apesar de ser publicitário e viver disso, eu particularmente odeio ter que esperar por uma propaganda na hora de assistir algum conteúdo na web. Especialmente quando se trata de um material não adaptado para o meio. Um vt de 30 segundos convertido de AVI para FLV e jogado na internet, sem qualquer relação com o conteúdo que está sendo mostrado ou interação com o usuário.

Sei não, mas isso para mim já tem cara de #fail antes mesmo do lançamento.

Mensurando Midias Sociais

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Vi no blog do Fabio Seixas esse vídeo bem bacana que mostra como o pessoal da Digital Royalty criou uma fórmula para mensurar os impactos das mídias sociais em uma marca ou ação. Logicamente eles não entregam o ouro de forma deliberada, mas serve como um start para quem quer começar a entender como mensurar campanhas em midias sociais.

Update: Fui atrás de informações sobre o programa que Amy disse no vídeo para monitoramento de Sentimento e Ecossistema da marca em mídias sociais. O programa citado por ela é o Spark da empresa americana Spiral16. Entrei em contato com a empresa e infelizmente não oferecem uma versão trial, porém oferecem o teste de um mês pela bagatela de U$500. Um belo investimento não?

Sondas Culturais como método de pesquisa em comunidades carentes

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

E olha eu de novo com um post sobre sondas culturais. Este aqui é um trecho de uma apresentação de Andrea Judice no 4° Congresso de Design da Informação no Rio de Janeiro que o Fred participou na semana passada.

A idéia foi utilizar as ondas ou (Cultural Probes) como método de pesquisa para investigar como era o dia-a-dia de uma comunidade pobre, visando propor idéias e soluções inovadoras para a população.

Como comprovado por nós em nossos depoimentos e demonstrado no vídeo, métodos de pesquisa não convencional são uma excelente opção para motivar pessoas a participar de pesquisas. Por sua característica lúdica, quando bem direcionado, um método desses é muito mais prazeroso que os tradicionais formulários.

Por que a inovação é tão importante?

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Lendo este post bem bacana do site McKinsey soube que esta empresa possui um indice de pontuação para inovação (denominado por eles como IPS). A empresa, que na verdade é uma consultoria/instituto de pesquisas avalia o quanto do lucro de uma determinada empresa provem de atitudes ou produtos inovadores.

porque_inovar

No post em questão, eles apontam como são feitos alguns cálculos e uma parte dos processos para avaliar o índice de inovação das empresas. Não cabe a mim relatar isso aqui. Porém algumas lições extraídas deste estudo são bem interssantes. Veja abaixo.

1.Empresas que inovam fazem isso de forma consistente. Elas atingem o sucesso em grande parte (70 a 80 porcento de IPS) procurando novas soluções para seu negócio ou mercado ao invés de procurar ou criar novos segmentos.

2. Olhando para outras crises econônmicas, como a da bolha “.com”, percebeu-se que as empresas mais inovadoresas foram aquelas que continuaram estimulando a inovação e soluções diferenciadas mesmo em tempos complicados, ao invés de se manterem conservadores. A agilidade e a capacidade de inovar faz com que essas empresas/pessoas lidem melhor com desafios. Além do mais, muitos produtos importantes foram introduzidos no mercado em tempos de crise. Parafraseando o Presidente Obama em um conselho a Rahm Emanuel “Estas empresas não desperdiçam uma boa crise”.

3. Os variados tipos de inovação - produto, processos e modelos de negócios - são especialmente interessantes. Enquanto a importancia de cada um deles é variável ( por empresa, industria, segmento, etc), foi identificado que um grau significante de inovação dentro do modelo de negócio é comum e necessário para a condução de todo o processo de inovação, seja qual for o ambiente.

4. Existe um nivel ótimo de inovação. Empresas com um baixo nível de inovação, claramente sofrem em um mercado em constante mutação. Enquanto isso, empresas com os maiores níveis de IPS são as mais recompensadas com TRS (Retorno do Stakeholder. Quanto mais a empresa se mostra-se aberta a inovação e a pratica consistentemente, mais colaboradores, fornecedores e clientes com esse perfil são atraídos para a mesma)

Pense nisso!

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“A indústria precisa dos músicos, mas os músicos não precisam da indústria.”

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segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Neste último fim de semana na aula de Sociologia da Técnica do curso de Pós graduação do Faber Ludens. Levamos os resultados das sondas culturais enviadas para pais, professores e crianças. Nosso grupo é bastante distinto pois sendo formado por alunos de Curitiba e interior do Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais e São Paulo talvez por isso conseguimos opiniões e resultados bem interessantes e diferentes, porém alguns relatos comuns nos fizeram refletir bastante e geraram alguns insights bem legais.

Percebemos que:

  • Em geral, professores reclamam da indisciplina de seus alunos. A quantidade de alunos em sala reflete diretamente na qualidade do ensino. Quanto mais alunos em classe, menos controle e menor o aprendizado.
  • Artefatos que pudessem “controlar” o temperamento da turma seriam interessantes em sala de aula.
  • Existe um conscenso não declarado entre pais e professores de que educação vai além do conhecimento ou cultura, passando pelo molde do comportamento e disciplina.
  • Atividades não ortodóxas em sala de aula são bem vistas pelas crianças.
  • Crianças gostam e precisam ser ouvidas.
  • A fase do “por quê?” muitas vezes levanta questões de cunho filosófico. Que podem moldar o comportamento da criança interferindo diretamente em sua forma de enxergar e entender o mundo. É preciso saber explorar essa fase.

Esses foram apenas alguns pontos de discussão em sala de aula. A pesquisa com as sondas culturais fez perceber a necessidade de criação de artefatos que pudessem ser utilizados dentro de sala de aula, ou que de alguma forma fizesse uma ponte maior entre professores, pais e alunos. A partir dessas conclusões duas propostas foram lançadas.

Respostas para todas as perguntas

Um serviço Web como o Yahoo Respostas voltado para crianças em processo de alfabetização. A criança posta uma pergunta, o sistema faz uma busca na base de perguntas já respondida e, se não tiver nada parecido, a resposta poderá ser dada por um professor, adulto ou outra criança.
Este serviço poderá ser utilizado para atividades em sala de aula e como apoio à criança fora da escola, especialmente durante a fase dos “por quês?”

Cromoterapia escolar

Cortinas coloridas que combinadas, podem climatizar a sala de aula. O professor poderia estimular certas emoções pelas cores do ambiente sala de aula. O objetivo é dar maior poder de controle ao professor para direcionar sua aula. Cores questes poderiam estimular a turma para a realização de alguma atividade enquanto cores frias acalmam em momentos que exigem maior concentração.

A idéias começam a surgir e com certeza outras virão. Aguardem que em breve virão mais novidades.

Enquanto isso assistam abaixo um comercial ficticio/tosco no estilo “011 1406″ que fizemos para a divulgação das sondas. O áudio não está muito bom, mas o que vale é a intensão e a brincadeira :D

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Click Rate versus Dwell. A mais nova briga nas métricas da publicidade online.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Pessoal andei dando uma navegada por aí e encontrei uma nova métrica sendo aplicada por alguns grandes estudios e agencias digitais para mensuração de interações com banners e publicidades na gringa. A Eyeblaster  é especialista em pesquisa e monitoramento desse tipo de campanha desenvolveu uma sistema que eles chamam de Dwell.

A diferença do Click Rate pro Dwell é que ao invés de se mensurar o clique no banner, mensura-se o tempo de interação que a pessoa teve com esse banner ou publicidade. Não sei quanto a vocês mas eu sou impactado por banners o tempo todo, e com os poucos que são realmente legais, eu realmente interajo, mas raramente clico. Quando se compara as métricas do click rate com o Dwell são impressionantes.

Dwell_clickrate

Dwell_clickrate

Mais dados do estudo.

A taxa de cliques CTR pra mídia rica (rick midia)  foi de 0.35% in 2008.  A media do Dwell é de 8.71%. E na America do Norte para banners expansiveis o CTR é de 0.3% porém com  7.1% de dwell rate.

Outros pontos interessantes do estudo

• Consumidores tendem a passar 25 vezes mais tempo “interagindo” com a propaganda do que realmente clicando nela (rich media)

• Quando eles interagem, tendem a passar de um minuto de engajamento (acredito que isso valha para filmes, advergames e ferramentas do tipo)

• Em video o aumento do Dwell rate foi de 30% e Dwell time de 200% (nos US) e 100%(global)

• Consumidores reagem de forma diferente a publicidade dependendo da hora, dia e mês.

• Banners na home page oferecem os melhores Dwell rates, mas os menores Dwell time.

Os caras monitoraram 1.5 bilhões de impressões para chegar nesses resultados, então com certeza vale alguma coisa. Quem se interessar em saber mais é so clicar no link