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Você está falando comigo? Ou está falando sozinho…

sábado, 6 de março de 2010

Minha cabeça explodiu várias vezes enquanto assistia a palestra abaixo de Michael Wesch no Fórum de Democracia Pessoal sobre a Antropologia no Youtube. Por quê? Porque realmente cheguei a constatação de que a web 2.0 criou comunidades individuais. Por mais paradoxal que isso possa parecer, a maior parte das redes sociais são um espaço aberto para que você seja humano o suficiente para se abrir CONSIGO MESMO, não necessariamente com outros humanos.

Recomedadíssimo! Assista (Ingles com legendas)

Parece mais uma de minhas divagações malucas, mas o raciocinio é bem simples. Ao realizar um estudo com um grupo compostos por seus alunos da Kansas State University (EUA) e uma pesquisa com mais de 80 mil videos na internet, Michael chegou a esta equação.

Anonimato + Distância Geografia + Dialogo raro e efêmero = A liberdade de experimentar a humanidade sem medo ou ansiedade.

A experiência de postar um vídeo no YouTube torna-se muito mais social e antropológica que tecnológica. Um conteúdo denso, como um desabafo tende a se diluir no meio de um universo infindável de informação produzida por milhões de outras pessoas que possuem as mesmas angústias, alegrias e frustrações que você. Talvez esse anonimato, esse “sozinho no meio da multidão” versão 2.0 tenha nos tornado humanos de verdade (ou não) para nos abrir. Mas que experiência maluca é essa de se abrir para uma webcam? De conversar sozinho, de dialogar e refletir consigo mesmo em blogs, podcasts ou twitter.

O ser humano é um bixo problemático. E eu me incluo nessa.

Tela touchscreen com botões físicos

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Sensacional o que pesquisadores Carnegie Mellon University estão criando para interfaces touchs. Um dispositivo que une o melhor dos dois mundos da tecnologia atual, telas e dispositivos touchscreen, porém com um tecnologia que simula botões em relevo. Ideal para pessoas com pouca sensibilidade nas mãos ou má cordenação motora.

“É difícil criar uma superfície física que seja deformável e que ainda consiga renderizar gráficos bem”, diz Chris Harrison, pesquisador Ph.D. do laboratório de Interação Humano-Computador da CMU.

“É um projeto instigante que adentra no campo emergente das telas dinâmicas e táteis”, diz Johnny Lee, um pesquisador da Microsoft depois de ler sobre o projeto. “É uma idéia realmente interessante e estimuladora!”.

“Como humanos, somos indivíduos muito táteis. O toque é o nosso sentido primário enquanto navegamos o mundo, mas as telas sensíveis ao toque não nos permite usá-lo”, diz Lee.”

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Ergonomia para Humanos e Designers de Interação

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

De algum tempo para cá muitos dos leitores, acredito que a maioria, notou que o foco de dicussão do Mormasso mudou radicalmente. Isso se deve ao fato de que, eu naturalmente, também mudei meu foco de trabalho e interesse. A cada dia que passa me torno muito mais “humano” e isso implica uma série de nova resoluções, preocupações e questionamentos que vão além do mundo mágico da publicidade e das ações de marketing.

Quando digo que estou ficando cada dia mais “humano” tendo sintetizar (não sei se consegui em um primeiro momento) que o foco deste blog mudou. O que interessa a partir de agora são as relações humano-humano e humano-computador. Ainda vou continuar postando ações interessantes em design, publicidade, e marketing, porém o que quero salientar a partir de agora é o papel do ser humano nisso tudo, como ele interage com essas ações e como tentar minimizar ao maximo suas frustrações no meio disso tudo.

E uma boa maneira de criar uma interação humano-computador satisfatória, é dando a enfase no primeiro elemento desta relação. Isso implica em projetar e arquitetar para pessoas, utilizar linguagem e mensagem que as mesmas compreendam em um ambiente que seja acessível as mesmas. E uma etapa crucial desta relação é a ergonomia.

Mas antes de corrigir sua postura ou ajustar sua cadeira na posição ideal ao monitor, devo dizer que não é exatamente DESTA ergonomia que se trata. A medida que as interfaces se tornam cada vez mais tangíveis, a interação com o usuário torna-se mais fisicamente diversa e complexa. Entender e aplicar conceitos antropométricos, cinéticos e de física ergonônica é essencial para design e usabilidade efetivas.

Neste post, fiz o upload de uma apresentação de Dan Saffer onde ele basicamente citava uma série de cuidados ergonômicos aos quais devemos nos ater ao projetar interfaces gestuais interativas. A palestra abaixo é de Rob Tannen e trata do mesmo assunto, porém com um foco um pouco mais abrangente.

O assunto não é dos mais excitantes, mas é altamente recomendável para quem, assim como eu, busca projetar experiências com foco no usuário, ou se preferir, com foco em humanos.

Em seu site Rob criou uma série de posts sobre o assunto iniciando neste. Leitura obrigatória.

Avaliação heurística no site www.redley.com.br

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Para o trabalho de avaliação heurística da disciplina de ergonomia e usabilidade escolhi o site de comércio eletrônico da marca Redley para avaliar.

Sou um grande admirador da marca, porém nunca havia realizado compras pelo seus site de comércio eletrônico, portanto foi uma experiência duas vezes interessante.

À primeira vista o site me impressionou, pois logo na entrada já oferece duas opções ao usuário: Visitar o site institucional da marca e conhecer a nova coleção ou ir diretamente para a loja virtual. Isso me agradou bastante, pois já conheço a marca e sou um consumidor em potencial do serviço.

A tarefa realizada a seguir é a compra de um item na loja virtual da loja. Fiz a avaliação tendo como base as 10 heurísticas de Nielsen.

Home

home_geral

Pontos positivos.
Escolha entre navegação na loja virtual e site institucional na introdução do site.

Ponto negativo.
O menu produzido em flash pode ser um problema para usuários menos avançados. Sem o complemento instalado, o usuário não consegue visualizar o site institucional ou pelo menos ter acesso a estas duas opções.

Solução Produção de uma versão da página em html

Home Institucional

home_institucional

Pontos positivos. Clean e atrativa. Item compras online em destaque no menu.

Pontos negativos. A escolha da navegação não agrega valor ao usuário, tentendo a confundi-lo. O menu é escondido (é preciso usar a barra de espaço para que o mesmo apareça) e a ajuda fica no rodapé da pagina, inacessível a configurações de tela menores que 768px de altura.
Apesar do item compras online constar no menu, o mesmo não possui over no botão ao se mover o mouse entre as opções masculino e feminino.

Solução Dar mais destaque a estas opções com um over sobre elas durante a seleção.

Home Loja Virtual

home_loja

Pontos positivos.
Bem organizada, limpa e confiável. Os itens no menu da direita possuem over, facilitando a leitura das opções, informações sobre segurança do site, trocas e entregas constam na home dando mais confiança ao usuário.

Pontos negativos.
O banner da home é rotativo em flash. A navegação no mesmo é feita através de setas dos lados esquerdo e direito, porém a cor das setas algumas vezes se confunde com a de fundo da imagem, tornando-a imperceptível.
Alguns dos destaques do banner possuem cliques que levam ao item dentro do site, porém o padrão de botão não é seguido em nenhuma outra parte do site.
Em nenhum ponto do site é indicado explicitamente que estou na loja virtual de produtos MASCULINOS. A presença de um link FEMININO sem qualquer identificação abaixo do menu pode confundir a navegação.

Soluções (identificação da página) Consistência na identificação da página mantendo sempre o título da mesma em destaque no topo.

(Banner) Aumentar contraste do elemento seta no banner ou então modificar sua apresentação.

Home da Categoria

home_categoria

Pontos positivos.
A presença de breadcrumb no alto da pagina mais o destaque no banner e o item selecionado no menu e o nome da página ajudam realizar um escaneamento rapido da pagina.

Pontos negativos
A utilização dos filtros deveria facilitar a busca, porém atrapalha pois oferece opções de filtros além do necessário.
A cada modificação no menu dropdown um novo reload é dado na página tornando impossível a aplicação de ao menos 2 filtros de uma única vez.

Soluções Diminuir a quantidade de filtros, deixando-os mais relevantes. Exemplo (menor preço, mais recentes, tamnho M, etc)

Produto em destaque

produto_destaque

Pontos positivos
A pagina possui boa divisão da informação. As visualizações carregam rapido (inclusive o zoom para detalhes da peça)
Botão de ação critica (incluir item na sacola) está com bom destaque e de bom tamanho.
Informações sobre compra casada aparecem na rolagem, aumentando a probalidade de compra de outros itens.

Pontos negativos
Pagina um pouco extensa verticalmente. O botão de compra (incluir na sacola) somente aparece após a rolagem da mesma.

Incluir produto na sacola

produto_destaque2

Ao incluir o produto na sacola, um quadro surge indicando quais os produtos já estão em sua sacola, um subtotal e um link critico para fechar a compra.
Melhoria. Alterar a cor de fundo por uma mais constrastante para dar mais destaque a esta informação.

Solução Aumentar o contraste do box.

Cadastro e validação

cadastro

Antes de efetuar a compra o usuário deve preencher um formulário de cadastro, caso ainda não seja cadastrado no site. Esta tela possui mensagens amigáveis e de fácil entendimento.

Pontos positivos.
Tela de cadastro prioriza o contexto do uso. É bastante rápida e concisa, não pede informações desnecessárias e é bem organizada.
Separa as informações em 3 grupos distintos (Dados de acessso, dados pessoais e endereço de entrega
O label da informação é posicionado acima do campo alinhado a esquerda facilitando o processamento da informação (leitura top-down). Como o cadastro pede simplesmente o necessário, não sendo extenso demais, a probabilidade do usuário completar essa fase e realizar a compra é muito grande.

Carrinho de compras

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Página bem organizada e dinâmica, pode-se alterar a quantidade de itens ou excluir itens facilmente. O botão continuar comprando está bem localizado porém o botão “inciar fechamento” aparece somente após a rolagem.

Pontos negativos.
Botão critico longe da vista do usuário e com label estranho.

Soluções Trazer o botão para mais alto na página e mudar seu label. Exemplo, “ir para o caixa”.

Fechamento

fechar_compra_erro

Ao clicar em iniciar fechamento, novamente meu usuário e senha foram pedidos, (provavelmente porque demorei muito em minha sessão) porém ao tentar utilizar o usário e senha cadastrados tive o desprazer de não conseguir efetuar a compra. Pois o site me redirecionava para uma página de buscas que eu não efetuei.
Em nenhum de meus emails tive algum email resposta de confirmação de cadastro para confirmar meu usuário e senha. Nesse ponto desisti da compra.

Soluções Envio de email ao usuário logo após o cadastro com seus dados de acesso.

Modificar a mensagem de erro de forma a deixá-la coerente com a tarefa que está sendo realizada. Indicar caminhos para recuperação da senha.

De maneira geral o site da marca ofereceu uma boa experiência de uso. Apesar de um problema alta criticidade no momento de finalização da compra que pode ser resolvido de forma simples. Os outros pontos citados por mim na avaliação não são de grande criticidade, mas merecem atenção. Parabéns ao time de designers e programadores que proporcionaram uma boa experiência de uso para um fã da marca, continuem assim :)

Dados vinculados e o futuro da informação

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Alguns dias atrás postei aqui uma palestra com Fernanda Viegas da IBM sobre visualização de dados e obesidade da informação. Pois bem abaixo vocês assitem mais uma palestra do TED, desta vez com Tim Berners-Lee um dos criadores da web. Ele conta um pouco sobre como ajudou a fundar as bases da internet e seus protocolos e quais é o futuro da internet.

A palestra está em ingles, mas você pode colocar legendas em português. Portanto sem desculpas para não assitir :)

Sobre mulheres em carreiras digitais, novas oportunidades em TI e uma internet cada vez mais “menininha”

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Ainda não me expressei publicamente aqui no blog sobre isso, mas em breve serei pai de uma garotinha chamada Lunna. Como podem imaginar, os amigos sacanas já me encheram com um arsenal infindável de piadas sobre “garotinhos safados com hormônios saindo pelo ladr”ao” e o futuro de um “pai de garota adolescente”. Como acredito que uma das bases do carater da pessoa, se  dá pela educação que recebeu dos pais, meu alento vem do fato de que cultura não vai faltar a essa criança e, espero eu, conhecimento também não.

bebe

Essa introdução foi simplesmente para mostrar qual o motivo que me interessou a ler este artigo () publicado na Interactions Magazine tratando sobre como as carreiras nos campos de ciência, tecnologia, engenharia e matemática tenderão ao crescimento entre as mulheres nos próximos anos. Traduzi algumas partes do artigo nos próximos parágrafos, vale a pena dar uma boa olhada.

“Como uma garota pode crescer e se tornar uma técnica, engenheira ou cientista? Prover às garotas conhecimento e incentivo para galgar altos cargos em ciencia e tecnologia é uma grande responsabilidade de educadores e empregadores. Como professores, expecialistas em recursos humanos, governo, universidades e organizações femininas podem contribuir para aumentar a quantidade de opções nessas cadeiras para mulheres?” - Women in Science and Technology”, um artigo no MIT Workshop de maio de 1973.

Recentemente começamos a perceber que as mulheres estão dominando o universo em expansão da criação e produção de conteúdos culturais. Estatísticas impressionantes surgem mostrando que a participação de mulheres em veículos de social media como blogs, microblogs, video sharing e outras redes sociais crescem e a passos largos.
Uma recente pesquisa realizada pela Q Interactive em agosto de 2009 mostra que de um grupo de 1000 mulheres, 45% gasta menos tempo assistindo TV e mais tempo em sites de redes sociais. A pesquisa também mostra que 75% dessas mulheres são mais ativas em midias sociais do que elas eram um ano antes.

Estatísticas da Pew Internet & American Life mostram que “comunicações”, em todos os aspectos, é de dominio das garotas, desde comunicações “ao vivo” a celulares e programas de IM. Garotas também estão ocupando o espaço dos homens nas redações dos jornais (49% a 20%) movidas pelo desejo de comunicar. Garotas pensam em midias sociais simplesmente como uma nova forma de gerar e transmitir conteúdo.
No âmbito das midias sociais, garotas dominaram a blogosfera teen e as redes sociais - 66% das garotas tem SNS (social networking service) profile comparado com apenas 50% dos garotos. 34% das garotas (contra 20% dos garotos) mantém algum tipo de jornal ou blog. O dominio de garotas nas midias socias é representativo em todas as idades.

O Pew Study também informa que adolescentes em transição para fase adulta ainda sim continuam mais propensas a blogar e produzir conteúdo quando comparadas a garotos mais velhos (38% das garotas entre 12-14 blogam versus 18% dos garotos 15-17).

Altamente especialistas na arte de criar estórias e expandir conexões sociais, garotas adolescentes abraçaram a internet e transferiram estas habilidades para as midias sociais ao mesmo tempo em que a própria tecnologia passa por mudanças radicais, provendo oportunidades de alto expressão a perder de vista. Neste novo modelo de aprendizagem, a excitante convergência da web social com o modelo de desenvolvimento open source habilita uma geração inteira - GenY - de garotas ajudando garotas a transitarem da criação de conteúdo à programação e codificação. [falo um pouco sobre o meu pensamento particular no fim do texto.]

Um grande exemplo disto é o Alice Project (Alice.org) da Carnegie Mellon University com apoio da AE Games. Alice é um ambiente de programação orienteado a objeto, educacional, open-source que ensina jovens crianças e adolescentes a criar animações e contar estórias. Por exemplo, o conto infantil Alice foi criado com foco específico em crianças em idade escolar, garotas em especial, motivando-as a aprender programação através de pequenos filmes em animação 3D.

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O momento de entrar no mundo da programação somente ganhará força para garotas e jovens mulheres a medida que elas crescem e transcendem a barreira do storytelling. A medida em que elas aumentam seu contato com a tecnologia guiadas pelo desejo por games, celulares e computadores, ou conexões em redes sociais cresce também o poder de ver e entender a tecnologia como uma ferramenta de mudanças.

A pervasividade da tecnologia em vários aspectos de nossas vidas e sociedade, obviamente é muito diferente do que era em 1973. Uma importante mudança ocorreu no cenário de lá para cá. Isso é o que Sue Rosser, em Female Friendly Science, chama de Contexto Social. Rosser clama em seu extudo por uma contextualização da tecnologia com propósitos mais nobres, como o da consciência social unindo homens e mulheres dos campos da ciência e tecnologia.
anika
Anika Ayyar, é uma adolescente da Harker School em San Jose, California que mostra o exemplo desta tecnologia “socialmente consciente, feminina e humana” Ayyar é a fundadora da Skipa-Birthay.com. Uma rede que convida tweens e adolescentes (10-18 anos) cujos aniversários caem em uma mesma data a abrirem mãp de suas festas individuais de aniversário, em detrimento de uma única festa para todos os aniversariantes em questão afim de arrecar fundos para organizações sociais de amparo.

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O texto continua fazendo a relação entre o poder feminino de comunicar e se relacionar com as possibilidades no mundo da tecnologia e dos números para quem realmente quer “fazer alguma coisa”.

Em alguns pontos eu discordo, principalmente quando o texto diz que é preciso ultrapassar a barreira do lúdico (como da socialização e da produção de conteúdo digital) em direção a programação e a “codificação” para entender as possibilidades da vida digital. Essa postura meio “separando meninos de homens” ou “meninas de mulheres” quando falamos da transição entre conteúdo e programação me incomoda, haja visto que nunca foi tão necessário entender de sociedade e antropologia para desenvolvedores como agora. O inverso também serve para designers e criadores. De nada vale saber contar bem uma história e criar experiências facinantes se o profissional não entende da execução.

Porém o que me fascinou realmente no texto foi a transposição do comportamento tipicamente feminino para ambientes sociais digitais, algo que já havia percebido, mas nunca dado valor. Esse é o mundo onde minha filha vai nascer, uma sociedade onde homens e mulheres são cada vez mais iguais tanto socialmente quanto digitalmente. Ou não.

O poder dos testes de usabilidade na experiência de uso de produtos e sistemas online

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Ando estudando bastante sobre as várias disciplinas, etapas e processos que tratam de um bom Design de Interação. Uma delas, que inicialmente achava uma chatisse (e a primeira vista realmente o é), mas que agora estou aprendendo a amar são os testes de usabilidade.

Diversas vezes ouvi designers e diretores de arte web falando mal de testes de usabilidade e Arquitetura de Informação por achar que os mesmos “dificultam” ou “tiram a graça”  do trabalho. Como se criar uma experiência de uso de uma ferramenta na web não devesse passar pelo crivo do personagem principal da história, o usuário. Bobagem!

Ter em mãos resultados que comprovam, ou desaprovam, determinados caminhos no trabalho online é importantíssimo. Nos faz aprender mais sobre nosso público e sobre noss papel dentro deste universo.

O vídeo abaixo é antigo, uma raridade gravada em fita VHS, recentemente “upado” para o Youtube. Se trata de um teste de usabilidade realizado pela Corel (sim, a própria)  afim de testar duas ferramentas de um software destinado a construção de páginas. No teste o objetivo é construir um site com três páginas utilizando o método Wizard (um passo-a-passo) e o método Template.

O áudio é em inglês e não está muito bom, porém no final é possível entender muito bem o objetivo e a importância dos testes de usabilidade. Melhor ainda é perceber o quanto nossas opiniões, como profissionais na área, muitas vezes distorcem a realidade sobre o que é realmente bom para o usuário.

TedxSP. Visualização de Dados, obesidade de informação e questionamentos digitais para 2010

domingo, 3 de janeiro de 2010

Bem bacana essa apresentação de Fernanda Viegas, pesquisadora da IBM, na primeira edição do Ted em território nacional. Apesar do tom jabazeiro da palestra, todo o conteúdo apresentado é bastante interessante e vale a conferida.

TEDxSP 2009 - Fernanda Viegas from TEDxSP on Vimeo.

Ainda não havia explorado o Many Eyes profundamente, e fiquei bastante impressionado. Para quem gosta de justificar ações de Marketing com base em tendências e dados concretos com certeza é uma boa pedida.

Porém, tudo isso faz pensar na quantidade de dados a qual somos expostos todos os dias e, naturalmente, gera alguns questionamentos: Toda essa informação é realmente necessária? Como é citado na propria fonte de onde tirei esse video, o site da colmeia,  vivemos uma sociedade onde todos nós sofremos uma boa parte sofre de “obesidade de informação”?

Um outro tipo de questionamento (acredito que mais antropológico, porém causado pelo excesso de informação e a mediação das novas midias e tecnologias) diz respeito a privacidade. A quantidade de dados e informações que enviamos todos os dias pela internet sobre nossos hábitos de consumo, amizades, costumes e pensamentos deixa sistemas como o Many Eyes (sem citar o pai de todas as “maquinas malignas”, o Google) cada vez mais inteligentes.

Quem utiliza ou utilizará essas informações? A quem interessa saber se eu gosto mais de camping ou praia, de cultura japonesa ou nórdica além de mim e meus amigos? A resposta é simples, corporações.

Abrir mão de nossa privacidade ao compartilhar determinados tipos de dados, em troca de “presentinhos” nem de longe parece um bom negócio, no entanto eu pratico, você pratica e todos os usuários de internet e sistemas inteligentes do mundo praticam. Este blog, o Mormasso, oferece publicidade de produtos e serviços relacionados com o conteúdo do post, que de alguma forma pode ter relação com o público que o visita. Publicidade direcionada ou invasão de privacidade?

EU mesmo questiono O MEU SISTEMA e acredito que você também deve fazê-lo. Não é porque vivemos a internet e suas maravilhas que devemos acatá-la cegamente não é?

Pelo visto iniciei 2010 muito mais ser humano que o normal. Deve ser a idade chegando…

Toque é o novo clique

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Esse é o título desta palestra (Taps is the New Click) de Dan Saffer, autor do livro Designing for Interaction: Creating Smart Applications and Clever Devices, referência na área de design de interação e experiência interativas. Dan também faz parte do emeritus board da Adaptive Path, uma empresa especializada em Experience Design, UX e Design de interação. Ou seja, ele sabe o que está falando.

Nessa palestra ele mostra de forma prática quais são so cuidados que se deve tomar ao projetar artefatos interativos que tenham como base da interação, o toque e reconhecimento gestual. Um apanhado de todo o conteúdo que vem estudando e colocando em prática desde 2006 quando surgiram os primeiros surfaces e iphones. Uma verdadeira aula de ergonomia, vale muito a pena

NYC IxDA - Tap is the New Click - Dan Saffer from Interaction Design Association on Vimeo.

Design de Interação para habilidades específicas (PARTE FINAL)

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Caso você não tenha lido a primeira parte, clique aqui.

Usuários treinados e curvas de aprendizado

A diferença crucial entre o sucesso e o fracasso ao se projetar sistemas interativos para usuários especiais está na forma como o usuário acessa a curva de aprendizado do sistema. Um design especializado deve freqüentemente projetar o usuário em um nível alto da curva, pois este usuário possui um conhecimento prévio da ferramenta.

Este fato permite ao designer transpor barreiras e adicionar pequenos aperfeiçoamentos que não existem em sistemas similares. A redução de redundância funcional, que faria sentido no uso exploratório, inicialmente soa como um erro, ou um ruído aos olhos treinados do usuário. A grande questão neste ponto é fazer com que um sistema que apareça inacessível a olhos destreinados seja na verdade facilmente usável durante o uso prolongado.

Isto pode ser percebido quando se olha a maioria da estrutura de navegação de sistemas especializados. Um design efetivo removerá camadas de navegação desnecessárias evitando “passo a passo”, ajudantes do sistema, etc. Uma outra alternativa interessante é o uso de múltimos sistemas postos lado a lado. Negociadores financeiros adoram diferentes telas lado a lado em seus sistemas. O design efetivo ocorre quando existe facilidade no acesso a informação. O que se procura deve estar na linha de frente do sistema, com o menor número de passos o maior número de vezes possível.

Desafiando procedimentos

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Usuários com domínio especializado em determinadas ferramentas freqüentemente desenvolvem para si uma rígida doutrina ou procedimentos detalhados para facilitar o cumprimento de suas tarefas. Isso pode ser tanto o “céu” quanto o “inferno” para o designer de interação. Por um lado, processos podem servir como um guideline para desenvolver um sistema eficiente, desde que estes procedimentos tenham sido aperfeiçoados durante os anos por múltiplos grupos de usuários a fim de minimizar erros. Mesmo um check list de procedimentos pode servir como uma importante ferramenta quando digitalizamos o fluxo de trabalho.

No entanto, a mesma ferramenta pode esconder aperfeiçoamentos para o dia a dia do usuário. No caso do check list, o usuário pode ser altamente resistente a mudanças. Talvez menos etapas na operação sejam necessárias com a ajuda de um dispositivo digital. Talvez etapas possam ser puladas ou re-ordenadas com um novo padrão de interação. Além do fato da ferramenta digital poder automatizar alguns procedimentos. Porém nada disso pode importar – usuários investem tempo e energia em seus procedimentos atuais para que os mesmos se tornassem uma parte natural de seu trabalho, quase como um reflexo.

Como designer de interação, torna-se essencial desafiar o “modus operanti” e atingir o ponto de mínima justificativa para mudança.

Design para prender a atenção.

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Considerando a atenção empenhada na tarefa por usuários altamente treinados como chave para um design de sucesso, às vezes não percebemos que diferentes profissões demandam diferentes cargas de atenção dos aparelhos. Usuários freqüentemente variam a quantidade de atenção dedicada aos sistemas que desenhamos. Isto é mais nítido em usuários altamente treinados.

No caso de um sistema de analises clinica, como um monitor de sinais em um hospital, a porcentagem de atenção dedicada durante todo dia pelo especialista ao aparelho é bem pequena. Muitas vezes o usuário recorre ao sistema apenas para um check up breve enquanto realiza sua atividade principal. O sistema torna-se um suporte para decisões críticas, na periferia da atividade principal. Desta forma, o mesmo deve ter pouquíssimo ruído ao comunicar e as informações devem ser claras e objetivas. Podem inclusive fazer uso do som, porém de forma singela, apenas para direcionar a atenção.

Outros sistemas requerem prolongados períodos de atenção do usuário, como no caso dos sistemas utilizados por controlados do trafego aéreo. Neste caso, o design da tela deve evitar ao máximo os ruídos na informação, para que a atenção do operador esteja toda centrada no objetivo de realizar a tarefa. Se qualquer sentar horas e em frente a uma mesma tela, a mudança de pequenos pixels pode ser suficiente para indicar que alguma coisa esta errada e é preciso atenção. Isto combinado a simbologia especializada, a informação pode ser apresentada de forma altamente compacta e mesmo assim ainda fazer sentido.

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Basicamente o autor do artigo descreve que antes mesmo de projetar qualquer sistema é preciso conhecer o contexto de uso do mesmo, saber quem vai utilizá-lo, com que frequência e quais são as habilidades específicas requeridas no uso do mesmo. Muitas vezes ao desenhar projetos menos complexos (sites por exemplo) não nos damos conta do público real que vai utilizá-lo. Quem aprova e assina os cheques normalmente não é quem usa o sistema. ;)