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Sobre Project Natal, simulações e Baudrillard

sábado, 6 de junho de 2009

Ok, ok… eu sei que a maioria já deve ter visto esse post sobre o Project Natal da Microsoft, em outros blogs e sites relacionados. O aposento dos controles através do reconhecimentos dos gestos e escaneamento de objetos afim de serem utilizados no game com certeza é uma quebra de barreiras e o futuro dos consoles de video game.
Com certeza a computação pervasiva chegou ao mundo dos games e nada melhor do que a utilização de gestos intuitivos em um game para torná-lo uma experiência “praticamente real” de interação.

O “praticamente real” é justamente o meu ponto com esse post. O teórico Edmont Coucht (professor emérito da Univeridade de Paris) diz que “Entre a teimosia do real e a era das simulações, o artista contemporâneo, especialmente aquele que lida com as tecnologias digitais, arrisca-se a perder-se nas teias do seu próprio imaginário.” Em alusão ao famoso livro de Baurdrillard (Simulacro e simulações) que já citei outras vezes aqui no Mormasso ele faz a distinssão entre Simulacro e Simulação onde:

Simulacro: Visa enganar, fazer com que o falso passe por verdadeiro.

Simulação: Em seu princípio essencial, não busca nem o verdadeiro nem o falso: ela estabelece modelos que são capazes de reproduzir virtualmente o real e de dar conta de seu funcionamento, mas sem explicá-lo. A simulação simula, mas não explica. Embora o modelo digital da representação esteja cada vez mais onipresente, nós não vivemos mais na era dos simulacros, mas sim na era da simulação.

Por outro lado, isso não nos impede de fazer novos questionamentos, pois, no caso do simulacro, sabíamos que era possível tomar o falso por verdadeiro, o que nos permitia encontrar este último. Já a simulação, que não se pretende nem verdadeira nem falsa, deixa-nos num estado de incerteza desconcertante.


Não vou nem tentar explicar Baudrillard e seus textos, porém é importante pontuar que no livro “Symbolic Exchange and Death” Jean Baudrillard argumenta que as sociedades ocidentais foram submetidas a uma “precessão dos simulacros”, onde temos o original e as três ordens de simulacros:

A imitação: Dominante no período Renascentista. O espelho original

A cópia mecânica: Período da revolução industrial, o fim do espelho original. A cópia perfeita porém simplificada e a produção em massa que molda o objeto e o homem às limitações da máquina.

A simulação: interagimos com representações símbolos, imagens e ícones, achando ser a realidade, o original. Somos estimulados por perguntas que induzem respostas e não existe o questionamento sobre realidade. Pois a simulação passa a flutuar entre realidade e não-realidade.

O Project Natal e o Milo do vídeo acima são a prova clara de que vivemos em uma simulação constante. Simulamos gestos, experiências, sentimentos e emoções com uma máquina que induz a um comportamento pré estabelecido. Somos nós que interagimos com a máquina ou a máquina que interage conosco? Como teremos certeza que nosso comportamento é “original” quando lidamos com esse tipo de experiência simulada?
Como publicitário vivo em num paradoxo entre a criação de experiências (simulacro) e a experiência em si (mundo real ou a simulação deste, não importa). Porém na publicidade isto já foi testado e retestado tantas vezes que é praticamente inexistente a possibilidade de uma alienação. Todo mundo sabe que não é porque tomo uma marca X de cerveja que vou passar “pegar” mais mulheres. O consumidor aprendeu (a duras penas) a separar o simulacro da simulação no mundo da publicidade. Talvez pelo histórico papel passivo (observador) na experiencia.
Mas e quando a simulação passa a ser tão real quanto a realidade? O Project Natal é muito mais denso do que parece. Pode ser encarado com um retrato fiel da sociedade onde o ser humano não quer mais viver a experiência da frustração.
Impressionante? Sim. Maravilhoso? Sim. Alienante? Sim. Portanto, questione.

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Outros posts relacionados a Baudrillard, Computação Pervasiva e Design de Interação abaixo:

Existe vida além dos 140 caracteres? Pode apostar!

Jovem demais para twittar?

Critica à Computação Pervasiva

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EON Reality | Ambiente 3D Imersivo

Greenpeace | Black Pixel Project

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Mais uma vez a Almap BBDO mostra porque é considerada referência mundial em criatividade.

Desta vez a agência mostra como é simples ajudar a economizar energia no mundo, sem esforço nenhum e ainda por cima disseminando a cultura do Greepeace. Se trata do Black Pixel Project.

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A mecânica é muito simples. Basta acessar o site do projeto aqui e  baixar para sua máquina (PC ou Mac) um aplicativo que instalará um quadrado preto (é um pouco maior que um pixel, mas who cares?) em algum ponto de seu monitor. Este black pixel pode ser arrastado para qualquer parte de sua tela e através dele é possível saber quanto de energia aquele quadrado preto economizou até então. Simples, prático, ecologicamente correto e muito bacana.

O site possui uma estética que remete ao inicio da era dos PC com pixels piscando pela tela, estilo Windows 3.11 e sons característicos de programas como o DOS. Mais um motivo para entender porque a Almap foi linkada pelo blog do TED como uma das empresas top criadoras de experiência interativa.

Abaixo o vídeo da ação.

Via

Etiquetas RFID identificadoras de objetos para cegos no Faustão

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Dentro de Computação Pervasiva, uma das tecnologias que mais se destacam hoje em dia é o RFID, tanto que já falei algumas outras vezes disso aqui no Mormasso. Mas é a primeira vez que vejo esse tipo de tecnologia sendo explorada de maneira criativa para um público tão expecífico em um veículo tão massificado como o Faustão. O que é excelente!

No último domingo, a Fabiane de Almeida (Engehheira Eletricista formada pela Universidade Positivo) foi até o programa do Faustão em seu quadro Domingão da Invenção mostrar seu identificar de objetos baseado em em etiquetas RFID. Veja abaixo.

O trabalho de conclusão de curso de Fabiane é um ótimo exemplo de uma tecnologia de custo relativamente baixo como o RFID, aliada a observação do cotidiano e senso de oportunidade aplicados de forma prática e criativa afim de criar novas fronteiras para os cegos. O Design Social que já falei aqui em outras oportunidades se trata justamente disso! Usar nossa criatividade e tecnologia afim de gerar experiências que realmente modificam a nossa forma de enxergar o mundo. Torço para que alguma empresa se interesse e toque o projeto adiante!

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Leia mais sobre RFID e Design Social nos links abaixo:

Portinha para gatos. Radio Frequencia + Twitter.

O que é Computação Pervasiva

Sobre paranóias tecnológicas, RFID e computação pervasiva

Design social e o foco nas comunidades

Hippo Roller

Free Wheel Chair Mission

quarta-feira, 27 de maio de 2009

O Gonzatto enviou na lista de email do Faber Ludens este video de um projeto homônimo ao nosso. O Free Wheel Chair Mission é uma iniciativa tomada por Don Shoendorfer que, nos anos setenta de férias no Marrocos, viu uma mulher tentando atravessar uma avenida se arrastando por não possuir uma cadeira de rodas. Aquela visão mudou sua vida para sempre.

Depois 25 anos Don conseguiu colocar em prática um projeto que envolve a essência do Design Social. Uma cadeira de rodas constituída de materiais presentes em outros produtos com um custo baixíssimo. Na epoca do vídeo apenas 44 dolares. Veja abaixo.

Hoje em dia seu projeto Free Wheel Chair mission tem o orgulho de dizer que já distribui mais de 390 mil cadeiras de roda em mais de 71 países.  1100 delas só no Brasil.É de se aplaudir este tipo de iniciativa que além de aproveitar materiais usados e de baixo custo consegue elevar o design a sua premissa mais básica, ser acessível.

Qualquer um pode doar para o projeto Free Wheel Chair, basta acessar o site através deste link e seguir as instruções.

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Outros posts relacionados à Design Social e Cadeira de Rodas

Design social e o foco nas comunidades

P.U.M.A | Locomoção Sustentável

WWF | Salve o Planeta

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Não sei se isso é ou novo ou não, mas é bem simpática essa ação da DM9 para o WWF. A peça consiste de dois balões, um dentro do outro, que são distribuidos a pessoas nas ruas. Essas pessoas são convidadas e estourar o balão externo, gerando a sensação que estão liberando a terra da camada de poluição da atmosfera.

Muito bacana ver esse tipo de conceito que muitas vezes parece tão abstrato representado de maneira tão simples e não por causa disso idiota.

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Via

W+K Amsterdan para Honda Insight Hybrid | Todo mundo quer ser bom

quinta-feira, 26 de março de 2009

A Wieden + Kennedy Amsterdam estava trabalhando desde novembro do ano passado nesse novo modelo eco friendly da Honda, Insight Hybrid. Fortalecendo sua postura a favor de um menor consumo de combustíveis fósseis e a utilização de carros hibridos (funcionam em um misto de gasolina com energia elétrica).  A idéia basica por tras do vídeo é “Everyone  wants to be good” (Todo mundo quer ser bom) e mostra por A+B que é possível poluir menos (ser mais bonzinho com o meio ambiente) sem abrir mão do conforto de um automóvel. A preocupação com o meio ambiente deixou de ser um “conversa fiada” para virar postura institucional da marca. Ponto pra Honda!

Abaixo o Making of do vídeo produzido pela Bouffant.

Qual é a sua posição entre os mais ricos do mundo?

segunda-feira, 16 de março de 2009

Quem ja viu aqueles rankings que mostram os 100 mais ricos do mundo pelo menos uma vez já teve a curiosidade de pensar em qual posição se encaixaria na lista. Pois é agora com o site Global Rich List você pode calcular a sua posição no Ranking das pessoas mais ricas do mundo.
Tudo isso soaria superficial e materialista demais se não fosse uma idéia brilhante da agência londrina Poke para a Care International, uma organização humanitaria que atua nos 70 paises mais pobres do mundo.

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A ideia do site Global Rich List é extremamente simples, utilizar o ego e a vaidade que nos move a procurar listas e nossas posições nas mesmas para mostrar o quanto somos ricos comparados com a maioria da população mundial. Como argumento, baseado no valor de sua hora de trabalho, mostram que por exemplo com 30 dolares (ou aproximadamente 6hs de trabalho minhas) é possivel comprar um box de DVDs da serie ER ou um kit de primeiros socorros para uma vila no Haiti.
Com certeza vale o clique e quem sabe uma doação via PayPal caso tenha cartão de credito internacional.

Achei no site foda do Design Charts, mas isso é assunto pra outro post.

Bicilavadora. Meio bicicleta, meio lavadoura e totalmente social.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Nada pode deter o poder humano para inovação em design quando o principal fator contra é escassez de recursos. Como já havia citado aqui, iniciativas em favor da criação de artefatos para facilitar a vida de comunidades remotas fazem parte de uma não tão nova perspectiva folksonômica do design.
O vídeo abaixo é um projeto de estudantes do MIT cujo objetivo é o de criação uma lavadoura de roupas que seja eficiente, funcione sem energia e seja ecologicamente correta. Movido a pedal a partir de partes de bicicleta unidas a um barril, a “Bicilavadora” é um hack que funciona perfeitamente, é barato e adequado à vida da comunidade peruana onde foi inserida.
Mais detalhes aqui. Abaixo o vídeo demonstrativo da geringonça.

Virgens de quê?

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

A publicidade é cheia de fases. O estilo de vida dos Madmens retratados na série de TV de mesmo nome e reafirmados no livro de David Ogilvy podem ter sido a primeira. O glamour dos salários pagos em dólares e a hiper-valorização da figura do criativo nos anos 80 e inicio dos 90 foi a segunda. As verbas cada vez mais minguadas e a internet vista como o Messias salvador da pátria são a bola da vez, mas pela primeira vez o mercado que mais se orgulha de pensar fora da caixa começa a se preocupar com um mundo que (pasmem!) tem preocupações muito maiores que a publicidade de um sabonete.

Há algum tempo tenho notado um sentimento de preocupação com o social e de precisamos-fazer-alguma-coisa no ar, seja partindo de bate-papos com outros publicitários em rodas de cerveja ou dentro das próprias agências.

O mercado que possui um ego que não cabe em si próprio finalmente percebeu que existe um mundo ao redor do próprio umbigo? Aparentemente sim.

Existe um projeto em andamento cuja finalidade é utilizar a criatividade premiada das maiores agências do mundo em prol de idéias que possam melhorar o mundo em que vivemos. O projeto chamado Humanitarian Lion propõem a criação desta categoria na badalada cerimônia de premiação de Cannes. Um pequeno passo, porém inteligente e eficiente de utilizar a criatividade das agências na criação de projetos de cunho social/sustentável em beneficio de comunidades necessitadas. Saiba mais e, caso queira, contribua assinando o abaixo assinado no site do projeto.

Abaixo posto dois vídeos. O primeiro é o da ação realizada pela CP+B chamada Whopper Virgins cuja idéia principal é promover um teste cego entre os sanduíches Whopper (Burguer King) e Big Mac (Mcdonalds) em comunidades remotas que nunca experimentaram nenhum dos dois sanduíches. Não vou cair na facilidade de criticar a ação até mesmo porque, independente de achar que foi uma forma genial de promoção ou simplesmente uma incursão do já falido American Way of Life sobre outras culturas que necessitam muito mais do que um sanduíche hipercalórico, a marca conseguiu o que queria: gerar buzz e angariar mais alguns pontinhos entre seus admiradores.

O segundo é uma sátira à ação do Burguer Kings promovida pelos idealizadores do Humanitarian Lion e mostra outras populações que também são “virgens” de grandes marcas, porém de um jeito bem menos interessante do ponto de vista comercial.

Daí vem a pergunta. Essa preocupação social e autocrítica é verdadeira ou não passa de mais uma fase passageira da publicidade guiada por empresas que se “pintam de verde” e ventos arlamistas de crises internacionais?

The Miniature Earth

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

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Um presentation antigo (2001) mas que infelizmente trata de um assunto recorrente nos dias de hoje: A desigualdade social.

O projeto The Miniature Earth propõe uma redução simbólica da população da Terra para um número de 100 indivíduos vivendo em comunidade. Simples, mas funciona para trazer a tona uma reflexão sobre o quanto somos diferentes uns dos outros e quanto um entendimento maior entre diferentes culturas é necessário para que haja realmente globalização não só em aspectos empresariais e econômicos mas também no pensamento e nossa maneira de agir e conviver uns com os outros.

link para o site com presentation em português