Posts com a Tag ‘agenciamento mediado’

Jovem demais para twittar?

terça-feira, 5 de maio de 2009

Aparantemente nunca se é jovem demais para isso. Pelo menos não para o estudante de tecnologia da NYU, Corey Menscher inventor do device Kickbee. Um dispositivo que preso à barriga da mãe informa através de um tweet o exato momento em que o bebê “chutou”.

Olha só a tecnologia sendo usada para conectar pessoas. De novo! Agenciamento mediado, simulacro e simulações… (não entendeu?)

O que é design de interação?

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Design de Interação ou Interaction Design ou IxD, que é assunto recorrente aqui no blog e um dos meus principais alvos de pesquisa, é uma ciência (?!?) ou área de estudos um tanto confusa e cheia de pormenores. Tanto que descrever o que é design de interação é bastante complicado.

Uma definição interessante e que por uma não coincidência é de meu orientador (Fred vam Amstel) na pós em Design de Interação é a seguinte: Design de Interação é a maneira como um produto proporciona ações em conjunto entre pessoas e sistemas.

Ainda não havia lido essa definição antes da publicação deste post e percebi que minha definição ou pelo menos a imagem mental que tenho dessa disciplina é bem próxima a do Fred. Abaixo posto um texto publicado originalmente no blog do Faber Ludens em que faço uma relação sobre o que entendo de design de interação com uma cena de um filme.
Para explicar um pouco do meu conceito sobre o que é design de interação escolhi essa cena especifica do filme alemão A Vida dos Outros (Das Leben der Anderen).
O filme conta a história da opressão do estado sobre os movimentos culturais antes da queda do muro de Berlin na Alemanha dominada pelo regime soviético. Georg Dreyman é um dos maiores dramaturgos do país e, devido à opressão do regime, vê vários de seus companheiros sendo censurados e até sofrendo repressões com direito a torturas e mortes.
No outro lado da história está capitão Wiesler um perito em espionagem e escutas eletrônicas dos Stasi (Ministério de Segurança do Estado). Um homem só e duro que vive uma vida sem grandes emoções, focado apenas em executar com perfeição o seu trabalho.
Nesse ponto especifico do filme vemos Georg recebendo a ligação de um companheiro informando que um de seus amigos se enforcou na noite anterior e que o mesmo também o planeja fazer. É o ponto da grande virada do filme em que Wiesler já infiltrado na casa do dramaturgo entende que a vida e as relações são muito maior que o poder do Estado.

O que entendo sobre Design de Interação basicamente é que estudamos as maneiras como as mediações entre pessoas e artefatos (eletrônicos ou não) funcionam e como elas interferem em nossas vidas. A vida é mediada totalmente por artefatos. Usamos óculos para ver melhor, computadores para nos comunicar e talheres para comer. Muitas vezes tudo isso se torna “invisível”, mas esses artefatos modificaram e modificam a nossa percepção e compreensão do mundo.
No exemplo do filme, as escutas utilizada pelo agente do governo foi a tecnologia mediadora que o levou de um homem carrancudo e miope quanto a situação de censura artistica a uma pessoa que passa a lutar pela liberdade. Daí o nome do filme, esse sentimento fez com que passasse a entender a vida do artista também como parte de sua propria vida.
A tecnologia naquele instante fez a ponte entre emoção e razão e criou questionamento na mente anacrônica do agente.
Acredito que uma das principais funções do Design de Interação é justamente essa. Entender como a mediação por objetos pode alterar as nossas percepções do mundo.

Alguns amigos sempre me perguntam o que diabos é Design de interação. Espero que com esse post possa esclarecer, pelo menos em parte, o que é essa disciplina que me facina tanto e que aos poucos está me fazendo enxergar um lado menos comercial do design e da publicidade. :D

Agenciamento Mediado - A comunicação depois do celular

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Para falar sobre agenciamento mediado resolvi escolher o celular por conta de sua onipresença no dia-a-dia da humanidade. Elaborei três
perguntas e fiz entrevistas informais com quatro amigos de perfis diferentes.

Partindo do pré suposto de que o telefone móvel serve para conectar pessoas através da comunicação mediada por um artefato tecnológico, é
incrível a quantidade de funções que o mesmo agregou tornando sua função primária, telefonar, muitas vezes renegada a segundo plano. Entrevistei quatro amigos questionando-os sobre qual a função do celular os mesmos mais utilizavam. Surpreendentemente “falar” foi citada por apenas um deles como função primária, sendo que agenda, despertador, mp3 e câmera foram disparados as funções mais lembradas.

Quando os questionei sobre a possibilidade hipotética de uma hora pra outra os meios de comunicação digital (telefone, internet, etc.)
deixassem de existir, como fariam para entrar em contato com outras pessoas, carta foi o veiculo mais citado, seguido por pombo correio e sinal de fumaça (?!?) mas estranhamente nenhum deles citou a possibilidade de ir ao encontro da segunda pessoa para tratar do assunto pessoalmente. Esta questão cabe um aprofundamento no sentido de que realmente os meios de comunicação  - ou tecnologias de distribuição como citados
por alguns estudiosos da área - hoje em dia não só modificaram nossa percepção de tempo (velocidade na transmissão da mensagem) quanto de espaço (distância que a mesma percorre) a ponto de que o usuário desistiria de entrar em contato com uma pessoa se tivesse, em função da situação proposta, que ir ao encontro da mesma como citado por um dos entrevistados.

Com base no cenário exposto perguntei-os: Se pudesse incrementar algum serviço, função ou características não existente atualmente nos celulares qual seriam.

Obtive respostas bastante distintas - em função do perfil de cada um - que vão desde melhorias estéticas (deixar menor, mais fino) até
funções que apontam, de certo modo, uma expectativa por aparelhos cada vez mais “universais”. Convergência de funções. Um dos entrevistados sugeriu que talvez dentre as funções do celular pudessem existir funções que controlassem aparelhos domésticos como portões eletrônicos, interruptores de luz, televisores, etc. Outra pessoa por sua vez sugeriu que dentre as funções do chip, houvesse uma que poderia ser utilizada para identificação pessoal, assim como um CPF ou RG, porque, segundo ele, “as pessoas muitas vezes se lembram de sair com o celular, mas não se lembram de sair com documentos”. A sua presença “online” torna-se essencial para sua identificação, deixando para os documentos oficiais apenas uma função formal. Quem é vivo sempre aparece… Online.

O que podemos concluir, empiricamente, com base nessas entrevistas.

1 - A tecnologia é um caminho sem volta. Perdoem-me os saudosistas, mas infelizmente “o tempo bom que não volta nunca mais” realmente já passou. A internet e as tecnologias digitais realmente afetaram nossa maneira de encarar o dia-a-dia. Nossos relacionamentos, mais do que
nunca, são mediados por máquinas e a socialização deixou de ser uma característica pessoal para se tornar uma ferramenta do mundo 2.0

2 - Impossible is nothing! O slogan da Adidas retrata nossas expectativas. Enquanto designers interativos devemos ter a consciência de que
as pessoas vivem em um mundo onde o impossível não existe mais, a informação está ao alcance dos dedos e celulares podem fazer de tudo, até mesmo telefonar.

3 – “A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte.” Da mesma forma que não se encontra um aparelho celular com
uma única função – telefonar – não se encontra pessoa que se satisfaça com o básico. Todos querem mais, querem melhor, querem ser surpreendidos e tudo pra ontem. Nosso papel enquanto designers interativos vai além da criação de artefatos que sejam úteis, usáveis, acessíveis e etc. eles devem despertar o senso crítico, gerar questionamentos e principalmente emocionar em um mundo frio como uma tela touchscreen. Pronto falei!