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Design de Interação para habilidades específicas (PARTE FINAL)

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Caso você não tenha lido a primeira parte, clique aqui.

Usuários treinados e curvas de aprendizado

A diferença crucial entre o sucesso e o fracasso ao se projetar sistemas interativos para usuários especiais está na forma como o usuário acessa a curva de aprendizado do sistema. Um design especializado deve freqüentemente projetar o usuário em um nível alto da curva, pois este usuário possui um conhecimento prévio da ferramenta.

Este fato permite ao designer transpor barreiras e adicionar pequenos aperfeiçoamentos que não existem em sistemas similares. A redução de redundância funcional, que faria sentido no uso exploratório, inicialmente soa como um erro, ou um ruído aos olhos treinados do usuário. A grande questão neste ponto é fazer com que um sistema que apareça inacessível a olhos destreinados seja na verdade facilmente usável durante o uso prolongado.

Isto pode ser percebido quando se olha a maioria da estrutura de navegação de sistemas especializados. Um design efetivo removerá camadas de navegação desnecessárias evitando “passo a passo”, ajudantes do sistema, etc. Uma outra alternativa interessante é o uso de múltimos sistemas postos lado a lado. Negociadores financeiros adoram diferentes telas lado a lado em seus sistemas. O design efetivo ocorre quando existe facilidade no acesso a informação. O que se procura deve estar na linha de frente do sistema, com o menor número de passos o maior número de vezes possível.

Desafiando procedimentos

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Usuários com domínio especializado em determinadas ferramentas freqüentemente desenvolvem para si uma rígida doutrina ou procedimentos detalhados para facilitar o cumprimento de suas tarefas. Isso pode ser tanto o “céu” quanto o “inferno” para o designer de interação. Por um lado, processos podem servir como um guideline para desenvolver um sistema eficiente, desde que estes procedimentos tenham sido aperfeiçoados durante os anos por múltiplos grupos de usuários a fim de minimizar erros. Mesmo um check list de procedimentos pode servir como uma importante ferramenta quando digitalizamos o fluxo de trabalho.

No entanto, a mesma ferramenta pode esconder aperfeiçoamentos para o dia a dia do usuário. No caso do check list, o usuário pode ser altamente resistente a mudanças. Talvez menos etapas na operação sejam necessárias com a ajuda de um dispositivo digital. Talvez etapas possam ser puladas ou re-ordenadas com um novo padrão de interação. Além do fato da ferramenta digital poder automatizar alguns procedimentos. Porém nada disso pode importar – usuários investem tempo e energia em seus procedimentos atuais para que os mesmos se tornassem uma parte natural de seu trabalho, quase como um reflexo.

Como designer de interação, torna-se essencial desafiar o “modus operanti” e atingir o ponto de mínima justificativa para mudança.

Design para prender a atenção.

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Considerando a atenção empenhada na tarefa por usuários altamente treinados como chave para um design de sucesso, às vezes não percebemos que diferentes profissões demandam diferentes cargas de atenção dos aparelhos. Usuários freqüentemente variam a quantidade de atenção dedicada aos sistemas que desenhamos. Isto é mais nítido em usuários altamente treinados.

No caso de um sistema de analises clinica, como um monitor de sinais em um hospital, a porcentagem de atenção dedicada durante todo dia pelo especialista ao aparelho é bem pequena. Muitas vezes o usuário recorre ao sistema apenas para um check up breve enquanto realiza sua atividade principal. O sistema torna-se um suporte para decisões críticas, na periferia da atividade principal. Desta forma, o mesmo deve ter pouquíssimo ruído ao comunicar e as informações devem ser claras e objetivas. Podem inclusive fazer uso do som, porém de forma singela, apenas para direcionar a atenção.

Outros sistemas requerem prolongados períodos de atenção do usuário, como no caso dos sistemas utilizados por controlados do trafego aéreo. Neste caso, o design da tela deve evitar ao máximo os ruídos na informação, para que a atenção do operador esteja toda centrada no objetivo de realizar a tarefa. Se qualquer sentar horas e em frente a uma mesma tela, a mudança de pequenos pixels pode ser suficiente para indicar que alguma coisa esta errada e é preciso atenção. Isto combinado a simbologia especializada, a informação pode ser apresentada de forma altamente compacta e mesmo assim ainda fazer sentido.

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Basicamente o autor do artigo descreve que antes mesmo de projetar qualquer sistema é preciso conhecer o contexto de uso do mesmo, saber quem vai utilizá-lo, com que frequência e quais são as habilidades específicas requeridas no uso do mesmo. Muitas vezes ao desenhar projetos menos complexos (sites por exemplo) não nos damos conta do público real que vai utilizá-lo. Quem aprova e assina os cheques normalmente não é quem usa o sistema. ;)

Design de Interação para habilidades específicas (PARTE 1)

sábado, 21 de novembro de 2009

Achei super interessante este artigo postado no site Johnny Holland (um forum de discussão sobre design de interação, IHC, etc)vale a visita!

No artigo em questão o autor discute o quanto é complicado o trabalho de desenvolvimento de uma solução para um contexto de uso específico. Como um sistema para um cirurgião ou operador de voo. Desenvolver soluções para situações de uso tão complexas é um desafio para o designer de interação. É preciso entender os diferentes contextos de uso do mesmo para desenvolver um produto que seja fácil de usar e “invisível”.

Dividi o artigo em duas partes e o traduzi livremente, portanto talvez algumas expressões ou palavras não façam muito sentido para o usuário comum :) Portanto, caso seu inglês seja bacana, recomendo a leitura do post original para um melhor entendimento e contextualização.

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Nenhum usuário é “especial” ou todos eles são? Independentemente da forma com que enxergamos esta situação, como designers de interação, encontraremos contextos de uso e domínios de conhecimento que sairão completamente de nossa rotina de trabalho e conhecimento em algum momento nossa carreira. Em minha opinião, designers precisam aplicar “ferramentas mágicas” enquanto estão desenhando/desenvolvendo para situações especiais.  Desta forma é preciso sempre ter em mente que existe uma série de diferenças entre contextos especializados de uso e o uso geral pelos consumidores de massa (como uma rede social ou um telefone celular). E este é o foco deste artigo.

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No ambiente digital de trabalho de uma enfermeira, por exemplo, o design de um aparelho medidor de sinais (um monitor cardíaco) requer do designer um domínio específico de conhecimento em seu desenvolvimento. “Medidor de pressão sanguínea” não é apenas um nome em uma lista, é preciso entender o que isso significa e a partir daí desenvolver um produto que faça sentido para a enfermeira.

Bom, então como desenhar o melhor sistema possível quando nos deparamos com esses contextos especiais? Como teremos certeza de que os sistemas interativos não serão difíceis de usar ou demasiadamente complexos? Este artigo provê uma introdução ao domínio do design de interação especializado, provendo algumas guias para um resultado de User Experience (UX) satisfatório.

Desenhando para um contexto particular

Pense em uma profissão onde é necessário um treinamento altamente especializado ao usuário.

  • Quais são os sistemas ao redor deste usuário?
  • Esses sistemas são naturalmente interativos?
  • Quais são as habilidades específicas que necessitarão de um alto grau de conhecimento quando executadas?

Qualquer device interativo pode ser o “sujeito” em um contexto especializado de uso. A partir dos conceitos mostrados aqui, o design de interação “especializado” ganha relevância quando o profissional que o utiliza é submetido a longos períodos de uso. Quando isto se torna parte de seu dia a dia e rotina de trabalho. Um contexto que requer um alto nível de treinamento na operação. Isto pode ser uma plataforma de transações de um operador financeiro, o processador de texto de um escritor, uma “pick up” para um DJ, etc.

O conhecimento específico

O treinamento ou educação de um usuário especializado é um importante fator de consideração. O conhecimento específico, que pode ser pré-suposto pelo designer, ajuda muito no momento de desenvolver sistemas eficientes. Nomeando alguns.

  • Simbologias específicas e padronagens podem conter informações importantes, sendo uma alternativa a nomeações muito extensas (La bels) e explicações.
  • Abreviações e siglas podem fazer muito sentido para usuários treinados. Isto possibilita uma melhor distribuição da informação e rapidez no entendimento da mesma. Ao invés de referir-se diretamente aos números de procedimentos ou referências, o usuário saberá do que se trata a informação, pois terá aprendido todos essas abreviações e siglas em treinamentos anteriores.
  • Facilidades não precisam ser totalmente transparentes. Atalhos escondidos e seqüências interativas podem ser aprendidos facilmente em uma segunda etapa do aprendizado. Quando o usuário já domina o sistema.
  • Guias e ferramentas de suporte devem ser mantidas no mínimo. Isto não significa que o sistema precisa ser difícil de entender e aprender.

A quantidade de conhecimento que apóia o processo de design pode ser desafiadora na execução do mesmo. Nenhum designer de interação entenderá completamente o contexto de uso de um piloto ou um cirurgião. Um sistema que precisa ser fácil de usar e acessível a um usuário com anos de estudo e pré treinamento, dificilmente será bem planejado e desenvolvido por um designer de interação sem o mínimo de suporte do usuário final. Ainda mais se o contexto de uso for difícil de replicar ou inacessível fisicamente.

Nestes casos é muito comum o uso de experts em uso durante o processo. Estes, não necessariamente precisam ser funcionários do cliente. Mas precisam trabalhar próximos aos UX e time de desenvolvedores. Eles são parte indispensável do processo de design e a solução certa para o usuário final.

continua…