Começa mais um BBB e como sempre a pauta dos assuntos nos corredores ou na hora do cafezinho em 90% das empresas é a mesma: “Viu o Big Brother ontem?”. Se o programa é bom ou ruim cada um tem sua opinião, mas a questão é por que faz tanto sucesso?
Há alguns dias, antes do programa estrear, ouvi uma entrevista do Pedro Bial sobre uma novidade desse ano na disputa. Uma casa de vidro que servirá de cativeiro para alguns participantes. Pedro Bial com toda a sua eloqüência e intelectualidade disse que um dos objetivos da casa de vidro era causar certo desconforto a quem passasse pelo local, uma espécie de experimento humano sobre voyeurismo. Usando a internet, telefone ou uma instalação multimídia no local cada um poderia votar no seu participante favorito elegendo qual deveria ir para a disputa na casa principal.

Achei a idéia interessantíssima, pois se trata de mais um argumento que reforça a teoria do estudioso de mídia Henry Jenkins (falo mais sobre ele daqui a pouco) sobre uma participação assíncrona do público em detrimento do popular “ligue agora e participe”.
A Rede Globo está engatinhando quando o assunto é convergência midiática, mas está aprendendo a utilizar muito bem seus canais de comunicação para gerar experiências de entretenimento cada vez mais abrangentes em se tratando de pontos de contato. Vídeos na página do website e blogs dos participantes, canal de voz por telefone, charges de Maurício Ricardo, etc. são algumas das iniciativas (algumas questionáveis eu sei) tomadas na direção de manter o fã do reality cada vez mais conectado com o conteúdo mesmo quando o programa não está no ar. Soma-se a isso uma infinidade de conteúdo gerado gratuitamente tal qual informações pessoais sobre os participantes em Blogs, Comunidades criadas no Orkut, matérias em programas vespertinos, as já clássicas tirinhas BBBizarro do Kibe Loco, etc.
A todo esse movimento Henry Jenkins dá o nome de convergência midiática, muito bem explorada em seu livro Cultura da Convergência (recomendo!) que trata justamente sobre um novo modelo de entretenimento que não se prende aos limites da grade de programação. O conteúdo deve estar disponível em diferentes plataformas 24/7 para que possa ser consumido, explorado e compartilhado por inteiro gerando um novo modelo de negócios chamado de Economia Afetiva “uma (re) configuração da teoria do marketing que procura entender os fundamentos emocionais da tomada de decisão do consumidor como força motriz por trás das decisões de audiência e compra”. Em uma explicação bastante rasa, não se trata simplesmente de vender e sim de saber para quem se está vendendo para vender certo.
Daqui a pouco tem mais.
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