
A 14ª edição do EDTED (Encontro de Design e Tecnologia Digital) aconteceu na bela e ensolarada Florianópolis durante todo o dia do último sábado (23 de maio). O evento foi divido em três espaços, Design, Tecnologia e Oficinas com uma mescla interessante de palestrantes. Como um bom criativo e diretor de arte me identifiquei pelo palco “Design” e aqui vão algumas de minhas impressões sobre esta aba em especial e pelo evento geral.
Frederick Vam Amstel (Instituto Faber Ludens) - Das Interafaces às Interações.
A palestra que abriu o evento aconteceu no palco Design e trouxe como palestrante um cara que cito diversas vezes aqui no blog, o Fred Vam Amstel, meu professor e coordenador do curso de pós graduação em Design de interação do Intituto Faber Ludens. A palestra de Fred, intitulada “Das Interfaces às Interações” teve um bom propósito, incutir na mente dos presentes que o design, webdesign e sistemas em geral tem um lado social extremamente importante e que deve ser questionado principalmente quando falamos em web 2.0, participação, conversação e todas essas coisas.
Fred pontuou algumas questões importantes, mostrou alguns trabalhos do instituto focados em design participativo e hacks, mas acredito que o mais importante foi a discussão final sobre o papel do designer na elaboração do artefato interativo (seja ele um sistema, um produto ou uma ferramenta qualquer) e a real influência do usuário final na elaboração e uso deste artefato.
Acredito que o tempo foi escasso para tanta informação e que talvez a proposta de Fred não tenha sido muito clara para a maior parte das pessoas, mas com certeza foi uma bela experiência. Nota 8.
Anderson de Andrade (A2C) - A experiência de criar uma agência de corpo, mente e alma.
A segunda palestra do dia no palco Design foi realizada por Anderson de Andrade, proprietário de uma das maiores e mais importantes agências digitais da região sul, a A2C baseada em Joinville.
A proposta de Anderson foi interessante, trazer para o mercado de serviços um assunto que já vem sendo falada à exaustão há uns bons 3 ou 4 anos no mundo corporativo. O foco nas pessoas que formam a empresa e o papel do gestor ou lider servidor na criação de times eficientes e criativos chamado por ele de método CMA (Corpo, Mente e Alma).
Boa proposta, mas a palestra foi vaga e, em minha opinião, bem superficial. Senti que Anderson falava com insegurança, e perdeu “o bonde” várias vezes durante a apresentação. Não empolgou ou gerou discussões. Enfim achei fraco, nota 6.
René de Paula Jr. (Microsoft) - Redes Sociais: como trazer a tona o melhor de nós.
Essa com certeza foi a maior surpresa do evento na minha humilde opinião. Acompanho o René há algum tempo através de seu podcast e seu blog corporativo e sempre o achei um cara anacrônico e chato, mas que de vez enquando acertava a mão com alguns bons questionamentos. Por isso, apesar das chatices, valia a pena acompanhr o que ele tinha a falar.
O que presenciei foi totalmente o inverso desse pensamento, René falou sobre redes sociais com a experiência e os “calos” que pouquíssimos podem falar. Questionou o modelo de negócio de ferramentas digitais como o Twitter e elevou a discussão sobre nossas vidas pessoais e a presença de marcas dentro do digimundo social à um nível antropológico bem interessante. Em resumo, as mesmas discussões que se propõe a fazer no Twitter e em seu podcast, porém muito além dos 140 caracteres ou dos tradicionais 15 minutos que leva de sua casa à Microsoft. Nota 10.
Julius Wiedemann (Taschen) - Entre e se divirta!
Julius era com certeza o desconhecido no meio de todos os outros. Porém seu currículo e experiência no mercado editorial internacional o credenciavam muito bem. o título de sua palestra foi bastante convidativo, mas o resultado final foi descepcionante. Abandonei com 20 minutos de palestra e fui admirar a vista maravilhosa da ilha em uma linda tarde de sábado.
Voltei quando Julius encerrava a rodada de perguntas, mas pelo que percebi não perdi muita coisa. Participação e o blablabla 2.0 foram os temas centrais de sua palestra. Nota 5.
Mesa redonda: (Todos os participantes) Mercado de trabalho nas agências digitais.
Acredito que faltou moderação neste tópico, pois foram realizadas pouquíssimas perguntas à mesa e o discurso prolongadíssimo de alguns participantes acabou consumindo com boa parte do tempo útil.
Uma competição de cavalheiros interna entre Fred (Faber Ludens) e René (Microsoft) foi o grande chamariz deste tópico do evento. Suas posições contraditórias sobre o “jeitinho brasileiro” com certeza fizeram a alegria da galera fazendo com que todos enxergassem os dois lados desta “instituição” nacional. Fred defendia o lado criativo e as gambiarras, muito em função de sua proposta com o Design de interação enquanto René tinha uma visão mais pragmática de que isso só funciona quando o propósito beneficia toda uma comunidade ou um processo, o que muitas vezes acaba sendo sublimado em função do individualismo.
Julius (Taschen) contribuiu com alguns “causos” do exterior, mas se alongou demais. Anderson (A2C) abriu a conversa, mas sumiu logo depois disso.
Enfim sobre o assunto proposto na mesa, se falou pouco. Nota 8.
Acompanhei ainda uma outra palestra dentro do espaço Tecnologia que foi bastante produtiva com Paulo Teixeira (SEO - Oportunidade em tempos de crise) e uns 5 minutos da oficina sobre Wordpress de Paulino Michelazzo que não posso opinar muito (o pouco que vi eu já conhecia sobre a ferramenta).
Aplaudo de pé a iniciativa de trazer o evento para Santa Catarina. Percebi que existe uma grande sede de informação sobre as novidades do mercado pelo público que vive da área no estado, porém alguns pontos bem negativos devem ser colocados em pauta para uma possível melhora no próximo ano.
Falta de sinalização. O centro de eventos de Floripa é bastante grande e devido a falta de sinalização, perdemos alguns minutos tentando encontrar a entrada do evento.
Tempo. Pouco tempo para os palestrantes e menos ainda para a realização das perguntas.
Internet. Não existia internet liberada para os usuários e palestrantes, pelo menos não no início. O que causou posteriormente um grande mal estar durante o sorteio de brindes onde ela (a internet) simplesmente sumiu! A correria e o sinal de desespero podiam ser notados nos olhos dos organizadores e se não fosse o bom senso de humor e jogo de cintura dos palestrantes e patrocinadores que estavam por ali somados à paciência dos presentes que ainda restavam tudo terminaria num grande fiasco.
Nota geral para o evento. Média 7. Passou, mas precisa se esforçar mais 
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