Pois é, não é magia e sim o poder da tecnologia e da evolução dos games (especialmente dos gamers). Pelo menos é o que propôs a game designer e pesquisadora Jane McGonigal neste talk da edição deste ano do TED. Com legendas em inglês.
O papo ia meio caduco, com afirmações que não levavam a lugar nenhum e conclusões tão malucas que boa parte da platéia parecia imaginar que isso tudo não passava de uma grande piada, mas Jane chegou a conclusões interessantíssimas.
Segundo Jane, hoje em dia (em casos específicos, obviamente) chegamos a passar a mesma quantidade de horas do dia na escola e nos jogos. Então pode-se dizer que os games também estão educando uma massa gigantesca de jovens, tornando-os experts em alguma coisa, seja la o que for.
Ainda segundo a pesquisadora, gamers possuem, entre diversas outras características, a tesão pela aventura, otimismo e paixão por finais épicos. Então por que não usar todo essa sabedoria e conhecimento em prol de soluções de problemas do século XXI tais como, a falta de combustíveis fósseis ou o uso de energias alternativas. Tudo isso dentro do escopo de jogos eletrônicos.
O primeiro jogo desenvolvido por ela e seus companheiros de estudo dentro desta proposta foi o World Without Oil, jogo que criava situações hipotéticas de falta de combustíveis, onde os gamers deveriam desenvolver soluções de sobrevivência em um mundo sem petróleo.
O mais recente está começando pra valer agora e parece realmente muito interessante. Chama-se Evoke e é todo baseado em um storytelling bem bacana em HQ.

A mecânica do jogo é simples. Você se cadastra e a cada semana um novo capítulo de uma história em quadrinhos é lançado. O tema da história é baseado nas dificuldades que pessoas com ideias inovadoras e que pensam no futuro da humanidade teem para realizar seus projetos com a ajuda de todos (Ok, a história é bem mais densa e complexa que isso, mas não vou ficar aqui explicando). Ao fim do capítulo um pedido de ajuda é lançado e a comunidade de jogadores deve desenvolver idéias que contribuam para que os projetos apresentados na HQ sejam viáveis.
Gostei muito do capítulo desta semana, pois a história é passada no Brasil. Uma representante de Ong tenta desenvolver em uma favela dispositivos capazes de fornecer energia elétrica à comunidade em tempos de trevas no Rio (pff, como se já não estivesse assim por la). O interessante é que o roteiro da história parece ter sido escrito por alguém que realmente conhece os brasileiros, pois alguns dos problemas que se percebe nas entrelinhas do HQ são a “memória de curta duração” do brasileiro e a inércia de nosso povo frente aos problemas da comunidade especialmente a violência. Vale a muito a pena dar uma zepeada no site, e se você gostar de jogos, ainda da tempo de participar.
O grande objetivo de Jane é fazer com que todo esse tempo gasto em frente a consoles e computadores seja melhor aproveitado, e utilizado na busca por soluções para realmente salvar o mundo. Aparentemente o MIT Technology Review e a Harvard Business Review concordam e apoiam os estudos da “menina maluquinha” premiando e embasando alguns de seus estudos e teorias.
Não sei qual é a aplicabilidade prática de tudo isso, mas com certeza é um caminho bem interessante para trazer os ARGs (jogos de realidade alternativa) para uma realidade cada vez mais sem-alternativas (#tudumpish).